Este texto é de responsabilidade do autor, podendo ou não refletir a opinião do site da Turma do Vô Coxa.
TORCEDOR É TUDO MARGINAL!
08/03/2010 - COLUNISTAS - por Danilo Durski
'É o que parece pensar as autoridades responsáveis pela segurança dos torcedores em jogos de futebol.
Até quando partiremos do pressuposto que todo torcedor é um marginal com tendências assassinas e disposto a matar em nome do seu time? Onde fica o direito básico que presume que todos são inocentes até que se prove o contrário? Por que existe essa sede vinda de todos os lados de afastar o torcedor do estádio? Preços caríssimos, violência do lado de quem deveria nos proteger e outros fatores que empurram cada vez mais verdadeiros torcedores para longe dos estádios. Enfim, medidas imediatistas que buscam só remediar, e não prevenir novas cenas lamentáveis nos estádios de futebol.
Claro que existem as “ovelhas negras”, mas a grande maioria dos torcedores vai sim – pasmem! – ao estádio disposto a torcer, somente torcer e ver o seu time brigar pela vitória em campo. Assim como freqüentamos teatros, cinemas, restaurantes como pessoas normais e nesses últimos lugares não corremos o risco de sermos escorraçados pela polícia para fora do estabelecimento debaixo de golpes de cacetetes, chutes, socos e até mordidas de cães. Onde fica nosso direito de cliente, acima de tudo? Pois estamos pagando – e caro, bem caro! – para assistirmos a um espetáculo, como qualquer outro, porém no lugar de conforto e segurança, pagamos muitas vezes para passar frio, aperto, dor de cabeça e uma surrinha da polícia na saída.
Freqüento estádios de futebol desde os meus três anos de idade, sou sócio do Coritiba Foot Ball Club há mais de quatro anos, tenho um moleton da torcida organizada Império Alviverde e jamais joguei uma pedra em um ônibus, jamais lancei bombas em outra pessoa que vestisse uma camisa rubro-negra ou de qualquer outra cor, jamais portei uma faca, canivete, pedaço de pau, arma de fogo ou qualquer outro instrumento contundente a fim de arrancar a vida de outra pessoa e tenho a absoluta certeza de que falo em nome da maioria da torcida alviverde, mas por estar vestindo uma camisa do meu time, sou um cara violento e ameaçador.
Mas já sofri com o pré-conceito da polícia dentro e fora de um estádio de futebol, quando enfrento caras feias e ódio já ao chegar ao campo de jogo, já apanhei em nome de uma minoria violenta que freqüenta o mesmo estádio que eu. Já sofri também a violência de falsos torcedores que vestiam uma camisa diferente da minha, mas também sei que lá do outro lado trata-se de uma minoria que não é de verdadeiros torcedores, mas de gente complexada com traumas que os fazem recorrer à violência para aplacar sabe-Deus-o-que em seu cérebro pequeno.
Quando saio de casa, geralmente com minha mulher, pois ela também é coxa-branca e gosta de estar no Alto da Glória para ver o Coritiba, não buscamos a violência, estamos buscando a alegria de estar ao lado de nosso Coritiba em mais uma vitória na nossa segunda casa. Assim como aquelas crianças que estão no estádio, nos colos de suas mães e seus pais, bem como aqueles senhores e senhoras de idade ou aqueles jovens que vão com os amigos ao Couto, à Vila Capanema ou à Arena da Baixada. Mas para as pessoas que deveriam zelar pela nossa segurança, somos mais um inimigo mortal.
Até quando veremos as cenas que vimos novamente na Arena nesse último Atletiba? Cenas de intransigência e violência vindas de autoridades que estavam lá para cuidar de nossa segurança?
Cada vez tenho mais medo de ser da minoria em um estádio, mas também estou ficando com medo de freqüentar minha própria casa. Tudo o que quero é um estádio seguro para poder levar meus filhos e meus netos para ver o Coritiba, mas cada vez mais estou chegando à conclusão de que o risco envolvido não vale o custo de uma vida. Cada vez mais acho que para alguns, a torcida não é essencial para um jogo de futebol.
Até quando viveremos assim?
Envie um e-mail para Danilo Durski!
Ver todas as notícas e colunas